terça-feira, maio 12, 2009

Caminhando

Toda segunda-feira de manhã quando o despertador toca sinto um vazio enorme por dentro. Parece que a música que sai do celular para me acordar entra pelos ouvidos e vai entrando e passando pelos outros orgãos e acabando com tudo. Falta o ar, a alegria, qulquer razão. E não é o trabalho, não é nada que pareça, pois sempre foi assim. Depois passa. As coisas vão normalizando, mas o vazio ainda permanece.
Então vem uma saudade, que nasce desde o momento da despedida até o próximo abraço. E de tanto falar que sente saudade, parece que o sentimento perde o sentido. Parece não ser tão verdadeiro, quando na verdade é mais que isso. É intenso, doloroso, e precisa ser colocado de lado, precisa ser ignorado antes que ele faça tudo parar de vez. Antes que acabe com todo o ar do mundo e faça tremer e desacreditar em qualquer coisa que seja. É difícil sentir tudo assim, como se fosse uma dor física, como se alguém tivesse te arrancado um braço. É preciso ser indiferente, fingir que não liga, colocar em primeiro lugar a razão, quase sempre antes que o coração, para não correr o risco que ele se parta em milhões de cacos.
É como caminhar em cima de vidro quebrado com medo de machucar os pés. Mas eu caminho, mesmo que eles fiquem machucados, e sangrando e que pareça que não será mais possível andar. Porque permanecer parada por medo dos ferimentos é pior do que os próprios ferimentos.

14 comentários:

Enxaqueca disse...

Gente. Adorei o texto. Minha 2ª feira começa mais ou menos como a sua... E o final do texto resume bem o que penso....

Besos, guapa...

Fee disse...

Amanda, por que a gente não pode só ser feliz e esquecer o medo de perder isso?? Por que que quando eu sinto saudade, a minha garganha parece mais um túnel congestionado? Diz aí pra mim, por favor, porque preciso muito me resolver.

alex e! disse...

...de fato, é preciso sempre caminhar, mesmo que doa a dor dos cacos espalhados pelo chão, mesmo tendo de suportar o peso de cotidianos horários e afazeres. É preciso que se caminhe, pois mesmo a felicidade torna-se um peso enorme quando resolvemos parar, nos sufoca...

bju do alex.......

Ricardo Rodrigues disse...

palavras tristes...

Bill Falcão disse...

Tenho essas mesmas sensações às segundas, Amanda!
Somos como Garfield, né?
Mas, como você conclui, levantamos e tentamos seguir, mesmo pisando em vidro quebrado!
Bjooooooooo!!!!!!!!!!!

Carlos Roberto disse...

Existe segunda feira??
eu nem acordo...esse sentimento/pensamento me vêem numa tarde fria (que sao raras agora) ou numa caminha pela sampa antiga
=/

H. 0.9. disse...

"Quase" é a palavra mais dolorosa que pode habitar nossas lembranças. Aquele horrível sentimento do it's all that could have been... Não faça por onde tê-la entre suas memórias de beleza & saudade.

LIEBELIEBELIEBE!!!

Jaya disse...

Acho que nossa conversa de ontem resume bem o que penso sobre. Nem sei dizer mais.

Deixo um beijo. E outro.

Elton... disse...

Que fossa, hein...

Mas o texto tá bom, pelo menos tá bonito, só não se sinta tão triste...

Luh Mahé disse...

mas essa saudade é boa ou ruim, ela é de uma pessoa presente, ou de uma ausente?
se é de pessoa presente, então tá bom demais!!!! rs.
e a minha que nem tem jeito, e nem modos de ser?!

Carlos Howes disse...

Achei muito importante o que você falou no final do texto, sobre o medo. Acho que no fundo, há muito medo do medo.

Beijo grande para ti, minha querida.

Vanessa disse...

"É como caminhar em cima de vidro quebrado com medo de machucar os pés. Mas eu caminho, mesmo que eles fiquem machucados, e sangrando e que pareça que não será mais possível andar. Porque permanecer parada por medo dos ferimentos é pior do que os próprios ferimentos."

:O ...amei!

Vanessa disse...

"É como caminhar em cima de vidro quebrado com medo de machucar os pés. Mas eu caminho, mesmo que eles fiquem machucados, e sangrando e que pareça que não será mais possível andar. Porque permanecer parada por medo dos ferimentos é pior do que os próprios ferimentos."

:O ...amei!

Lindo demais!!

l u a * disse...

ficou lindo aqui!
uma dossidão.