domingo, setembro 13, 2009

Príncipes e Princesas

Eu queria que príncipe encantado existisse de verdade. Não precisava vir de armadura, nem sentado em um cavalo branco brilhante, mas devia ser como um príncipe. Devia me amar total e completamente e eu ter a certeza de que seria para sempre. Um amor infinito, que só aumentasse com o tempo e não ao contrário. Não precisava ser perfeito, porque coisas perfeitas demais são muito chatas. Mas tinha que ser de tal forma que mesmo com as chatisses, as brigas, a rotina e tudo que existe para acabar com tudo, ainda sobrevivesse firme e forte. Eu só queria a segurança da certeza de existir para sempre. Só queria não ter medo de falar ou fazer alguma coisa e de repente o amor sumir. Não queria indiferença nem que desistissem de mim na primeira curva errada. E eu queria ser melhor, porque até para me aturar paciência tem limite. Pensando bem, talvez para que o príncipe encantado possa aparecer é preciso que eu me torne uma princesa antes.

7 comentários:

H. 0.9 disse...

Princesas:

* Não dizem que pararam de beber (com a cerveja na mão).

* Não mandam os brações do trânsito se foderem.

* Não criam coragem para cruzar a cidade e parar no ABC em nome de uma faculdade. Geralmente são sustentadas por algum príncipe perfeito.

* Não ouvem bandas grunge. No máximo, a banda que une Soweto e C&A, aquela "Belo & Sebastian".

É... não, há vida com riscos... e a beleza de corrê-los é que dá graça. E para os arrependimentos, há a resiliência.

Sim à humanidade. Não à princesidade.

N.Xavier disse...

Você é uma princesa contemporânea.

E eu acredito também em príncipes encantados contemporâneos.

E o amor quando é amor, não desaparece com palavras mal ditas, ou acontecimentos infelizes. Ele permanece na alegria ou na tristeza, na união ou separação. E isso é tudo o que é para sempre.

Bjos Xuxua

Fee disse...

Hahaha. Desculpa, Bia, mas sim, é engraçado!! Levanta dessa pedra e para de pensar, porque os pensamentos, se a gente não vigia, nos afundam. Às vezes cansa mesmo ver o coração da gente fazendo plantão sozinho, se jogando no mundo de alguém e de repente tudo desaparecer, justo na hora que a gente acha que, enfim, se encontrou na vida. Hahahaha! A vida faz piada com a gente, ô se faz.

Lembrei de uma música:
"e eu me sinto uma imbecil
repetindo, repetindo, repetindo
como um disco riscado
o velho texto abatido
dos amantes mal-amados
dos amores mal-vividos
e o terror de ser deixada
cutucando, relembrando, reabrindo
a mesma velha ferida
e é pra não ter recaída
que não me deixo esquecer..."


A mudança tem que ser de dentro pra fora e não o contrário. E olha, só, a primavera tá chegando! Já tem 1 ano que a gente se escreve. rs

Beijos :o)

Jaya disse...

Manda,

Contos são curtos por demais. E princesas só sabem caber neles. Melhor é o chão, um romance, reticências, e amor.

Um beijo.

Carlos Howes disse...

Vou repetir um comentário que li acima:

"Sim à humanidade. Não à princesidade."

As ilusões que criamos às vezes nos entristecem porquê frustram nossas expectativas. Se não podemos ser perfeitos, creio que temos que nos preparar cada vez mais para tentar aceitar as imperfeições do próximo (dentro de um limite, claro).

E acho que você mesma deu uma margem muito interessante para isso no último parágrafo do seu texto... Bem colocado.

Beijo, moça.

Renatinha Renault disse...

Pois é, eu achei que tinha encontrado o meu príncipe. Pena que não deu certo e nem assim consigo vê-lo como sapo.

Essas coisas acontecem. Pelo menos é isso que me dizem.

Não sei se você se lembra de mim, eu era uma bloggueira convicta que abandonou o mundo virtual para viver na fantasia. E agora está de volta.

Beijos

Anônimo disse...

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas.

Dá-me amor, me sorri
e me ajuda a ser bom.
Não te firas em mim, seria inútil,
não me firas a mim porque te feres.